Quando as Catedrais eram Brancas, notas breves sobre arquitectura e outras banalidades, por Pedro Machado Costa

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An elevation problem

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Aline Barnsdall House [Alçado] , Beverly Hills, California, F. L. Wright, 1923 [fonte: Library of Congress : exposição Designs for an American Landscape 1922-1932]


Certamente a propósito da frase que falava em esperançosas [arquitecturas] apoiadas [...] numa fachada de facto extraordinária - sobre as Grutas da Torre, que por sua vez se referia a um texto de Pedro Baía publicado no JA 234 - Pedro F. Jorge decide, num gesto franco, algo impulsivo, dizer ser "no mínimo superficial acreditar que uma fachada deixe expectativas a nível de uma composição arquitectónica complexa"; para logo a seguir perguntar: "Um 'tricot' em pedra é sinónimo de esperança?"

Independentemente do valor que possamos atribuir à referida obra, dir-se-ia que sim: que o tricot de pedra pode, aqui, ser sinónimo de esperança. Esperança que a arquitectura sirva de facto para alguma coisa. Para mais alguma coisa que não o constante desperdício de oportunidades que nos é dado a ver quotidianamente.
Pedro Jorge cai, aliás, na sua própria armadilha, precipitando-se, ao achar que a fachada da Gruta das Torres implica uma extravagante "ausência de implantação" do projecto de Miguel Vieira e Inês Vieira da Silva; para depois lhe criticar a sua "planta minimal", certamente baseada no imoral "culto do objecto" como "um falso ídolo".
Dir-se-ia estarmos aqui na presença de um verdadeiro iconoclasta, ainda por cima "mauzinho [mas, vá lá, com intenção de ouro:] combater o verdadeiro inimigo: estética versus ética".

Não tendo certezas algumas sobre a obra dos Sami para além do seu aparente conservadorismo, uma coisa me é certa: não tenho certezas nenhumas sobre a obra dos Sami para além do seu aparente conservadorismo. E isso parece-me suficiente para conter eventuais impulsos redutores sobre as arquitecturas que vão fazendo.

Repare-se: não é que não deixe de apreciar iconoclastas. São, enfim, o último reduto niilista. Mas olhe, meu caro Pedro Jorge: para se (querer) ser iconoclasta é necessário ter consciência que não existe tal coisa (ups!: um lugar comum) de separar estética da ética.
Aliás, Pedro Jorge terá experiência suficiente para saber que o exercício da arquitectura é bastante mais complexo do que separar (ou juntar) duas palavras.

Conclui-se ser [no mínimo] superficial acreditar ser no mínimo superficial que uma fachada possa deixar expectativas a nível de uma composição arquitectónica complexa.

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