Quando as Catedrais eram Brancas, notas breves sobre arquitectura e outras banalidades, por Pedro Machado Costa

| Subscrever via RSS

Mostrar mensagens com a etiqueta Le Corbusier. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Le Corbusier. Mostrar todas as mensagens

Ser moderno

| 8 comentários |


Stone on Stone, Rob Carter (via archdaily)

Teoria sobre a notada ausência de rodapés na arquitectura contemporânea

| 2 comentários |























Casa Hannepin, Illinois, 2008, UrbanLab (via Unhappy Hipsters)

Para além da refinada ironia do Unhappy Hipsters, nele sobressai uma aparente condição (ao uso) da casa d'hoje: nelas as pessoas andam sempre descalças.
Raro é a habitante contemporâneo que não opte por se demonstrar informal em casa, deixando os sapatos de lado - mais as mulheres que os homens, é certo; o que revela ainda alguma diferenciação na maneira como uns e outros se vão apropriando das coisas -, fenómeno esse impossivel de observar, por exemplo, nas gentes que habitam as fotografias de Schulman.

Afinal nunca se encontra ninguém descalço numa casa modernista (isto, claro, com excepção daquela imagem de Le Corbusier na casa de Eileen Gray; mas mesmo essa não é totalmente conclusiva sobre o facto); sendo de facto difícil imaginar alguém a caminhar sem sapatos numa casa de Loos ou de Mies.



















"Cocktail hour" na Casa Spencer, 1950, Richard Spence (fotografado por J. Schulman)

Poder-se-ia concluir que aquilo que nos afasta definitivamente do moderno é a ambição pelo conforto. Se é um facto que hoje andamos descalços em casa, sabendo no entanto que os sapatos que usamos agora são bem mais confortáveis do que os de à sessenta anos; adjectivo esse que não se aplica necessariamente às casas.

Deitar fora o bébé com a água do banho

| 8 comentários |

Aparentemente tudo está já escrito sobre Le Corbusier: desde as múltiplas e extensas monografias críticas à análise minuciosa de cada uma das suas obras. Se é verdade que a maior parte da revisão crítica da sua vida e obra foi elaborada por confessos admiradores seus - facto esse que porventura explicará a pouca relavância dada por essas obras aos seus detractores mais directos (isso, claro, se excluirmos a resposta da arquitectura ela própria, nomeadamente as gentes dos últimos CIAM's, dos Team X e similares, ou um texto ou outro esparsamente publicados junto a revisões da obra de Corbusier, como aqueles - do Pallasmaa, julgo - que aparecem no número especial da Architecture d'Aujoud'Hui logo depois da morte de LC), julgo, ainda assim, que passados quase 50 anos da morte, seria mais que evidente que a relevância cultural de Le Corbusier vai muito para além daquilo que seriam as suas posições ideológicas, ou das tabulas rasas urbanas (Plano Voisin e etc.) que supostamente intentava. Uso o termo seria porque não tenho assim tanta certeza do vínculo do autor a tais radicalismos: LC é acima de tudo arquitecto, o que faz com que tenhamos de encarar Voisin como puro marketing ou, no máximo, como pura especulação narcisista; num ou noutro casos actos inócuos ou, pelo menos, inofensivos.

Se é verdade que a obra de Le Corbusier levanta(va) questões socialmente relevantes; facto é que não há hoje ninguém que não tenha consciência desse facto, e que não consiga separar essas (só) aparentes manifestações de radicalidade social de tudo o resto; que é aquilo que de facto é relevante em LC: a sua arquitectura.

Bem sei que com isso posso ser outra vez acusado de desprezar a teoria; separando-a da produção. E no entanto parece-me que o exercício teórico desligado da capacidade de entender aquilo que se tem em mãos equivale ao simples exercício diletante da ignorância. Como é o caso deste texto, absurdo, de Theodore Dalrymple.

Tags