Quando as Catedrais eram Brancas, notas breves sobre arquitectura e outras banalidades, por Pedro Machado Costa

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Alguém insinua que a Escola de Hering pertence a essa mão (meio) cheia de obras excepcionais feitas nos últimos anos. Certamente que sim. Ou pelo menos gostaria que assim fosse.
Gostar por gostar: gostaria mais ainda de estar em condições de afirmar que a capacidade de invenção de Hering encontraria paralelismo em projectos cujos pressupostos de algum modo lhe são similares.

Por isso, gostar por gostar: gostaria de poder afirmar que nas nossas 5 Escolas 5 Áfricas encontraríamos razões para crer que a arquitectura portuguesa teria capacidade para ultrapassar os seus próprios dogmatismos, mostrando-se disponível para inventar uma outra coisa.
Gostar por gostar: gostaria então de estar em condições de afirmar que as respostas da comitiva portuguesa à Bienal de S. Paulo procuram estabelecer um outro grau de relacionamento entre aquilo que são as condições dos 5 países onde se intervém e o potencial que a arquitectura ainda detém, sendo capazes de criar modelos de excelência, que pudessem servir, de forma inteligente e criativa, os fins para que foram pensados.

Fazer escolas em países cuja escassez implica ainda grandes e graves limitações para aqueles que aí habitam equivale a um acto de extrema generosidade. Inegável. Mas tornar essas escolas em momentos especiais - como especial é a escola de Hering - equivaleria a assegurar que a educação implica muito mais do que ter um espaço para estudar. Simplesmente porque a importância da educação reside, em muito, no modo como o mundo nos é apresentado, mais ainda do que a maneiro como ele nos é explicado.

Amanhã iremos ter a oportunidade de ver cinco propostas para cinco escolas em África, pensadas por cinco autores portugueses.
Nelas vão estar presentes os fantasmas mais ou menos recentes da nossa própria arquitectura: caixas brancas, abstractas, assentes em muros contínuos; estruturas modernistas a lembrar, não sem algum romantismo ou ingenuidade, os anos de ouro da arquitectura ultramarina [aquela, que tão bem copiava os brasileiros, com grelhas, pilotis, e tudo o mais]; ou aproximações de tom regionalista, melhorando, com algum eruditismo, modelos e técnicas locais.

A pergunta que nos resta fazer: porque é que a generosidade de Hering é ainda caso único?

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