Diz-se: não há crítica de arquitectura em Portugal. Pode ser que sim. Que não haja gente a escrever crítica. E no entanto esta afirmação expressa mais um lugar comum do que propriamente vontade que ela exista. Há poucos dias, para os lados da Antena 2, Alberto Carneiro queixava-se exactamente disso: de não haver crítica. Ou - interpretei eu - de não haver gente que a compreendesse, à obra escultórica de Alberto Carneiro, pondo-se o autor a desdizer todos aqueles que procuram desmontar o seu discurso; coisa particularmente difícil de se fazer, diga-se, dada a total incapacidade do autor em articular uma frase inteligivel do princípio ao fim.
Na verdade a questão não reside assim tanto nessa ideia de existir, ou não, crítica de arquitectura em Portugal; mas antes se os autores estão disponíveis em deixar que a crítica lhes entre pelo atelier a dentro. E não: não estão. Facto esse que torna a actividade crítica numa inutilidade, não tanto por ela ser inexistente, mas por aquilo que está na sua origem (os factos, as obras ou as gentes sobre os quais se dedica) a acharem irrelevante ou, pior ainda, maldizente.
Dito isto, refira-se não ser intencional o facto de se pôr em causa a existência de um blog cuja autoria reflecte exactamente sobre a noção de crítica. Aliás: trata-se exactamente do oposto: da necessidade de o tornar consequente para aqueles que o lêem. Mais, portanto. E nunca menos.
