Ouço, de relance, num daqueles programas irónicos sobre "arquitectura" que passa na televisão pela madrugada, Gonçalo Byrne a afirmar que o antigo Estoril Sol barrava a relação entre o Parque Palmela e a Marginal, ao mesmo tempo que a senhora que faz os comentários me garante que o área construída acima do solo é agora bastante menor que a do famigerado hotel. Já Byrne reflecte sobre a importância dos reflexos da água na parte de baixo das suas consolas, e consola-se em dizer que as obras polémicas são (quase) sempre as melhores.
Adenda (aos comentários d)a entrada anterior
Com certeza que sim: que o projecto é um projecto feito em velocidade de cruzeiro, sendo mais fruto do hábito (toda a gente sabe que tendemos pouco a reflectir sobre tudo aquilo que nos é habitual), do que de um qualquer desejo. Não se lhe denota qualquer tipo de investimento nem envolvimento, recorrendo a truques (coisa que nada tem de mal) de forma atabalhoada (coisa que tudo tem de mal), abstendo-se de algo mais do que cumprir os mínimos.
De certa forma é um projecto construído apenas à base de estereotipos (propositadamente alguém referiu Byrne na caixa de comentários), desligados, desproporcionados, desadequados; com um desenho pobre - é ver o Átrio ou o Auditório, como AM bem refere, mas também as padieiras e as soleiras, e aquela confrangedora pedra (uma má escolha, que anula a intenção expressa nos alçados desenhados) -, aparentando haver um problema de (in)capacidade de quem, deselegantemente, levou o projecto para a frente (será um curioso exercício tentar descobrir quem, por detrás da extensa lista de nomes espanhóis que fazem parte da equipa de projecto, é a aparejador de serviço).
Não há aqui, evidentemente, nada de grave. Ou nada de errado, sequer, a não ser essa banalidade que pouca justiça faz ao autor. Na verdade a única conclusão que poderemos tirar acerca do Paraninfo é a sua inutilidade. Para nós, para Bilbao, e para o próprio Siza.
A propósito deste tipo de coisas (sobretudo vindas de quem vem) recordo uma conferência do mesmo, que tive oportunidade de ver há um bom par de anos. A conferência, maravilhosa, foi toda ela ocupada apenas com um projecto: a Fundação Iberê Camargo. Nela foram mostradas todas aquelas coisas que ficam esquecidas pela gavetas dos ateliers, ou que normalmente acabam nos cestos do lixo: as dúvidas, os recuos e as hesitações (Iberô Camargo em forma de cubo, Iberô Camargo em forma de pirâmide, Iberô Camargo em forma de tolice), os desenhos feios e menos feios, os equívocos e, sobretudo, todo o tempo que se gastou a inventar aquela coisa.
A uma dada altura, já no fim da festa, alguém terá questionado Siza sobre a razão do evidente desequilíbrio entre o Museu - que, tal como afirma João Amaro Correia, é A Obra de Siza (quer dizer, depois daquilo nada mais há a fazer) - e outro projecto da sua autoria (não me recordo exactamente qual era a obra referida) terminda mais ou menos na mesma altura.
Depois de ter calmamente explicado o processo de encomenda do projecto do Brasil, e o (excepcional) envolvimento da fundação Iberê Camargo, Siza foi claro: aquilo que fez a Fundação ser aquilo que é - repito: o projecto que culmina e supera todo o percurso de Siza - deve-se, segundo o autor, a um facto da maior simplicidade: o envolvimento da parte de quem lhe pede o projecto, e o estímulo que esse envolvimento lhe provoca.
Quer dizer: não haverá boas obras sem bons clientes. Ou, dito estão de outra forma: todos têm o (Siza) que merecem.
ps. já agora, G. Byrne esteve nessa conferência. Embora não possa confirmar o seu grau de atenção para com tudo aquilo que por lá foi dito.
Acerca da proporcionalidade da beleza
Da realidade vista sobre um certo ângulo recto
Foi publicada a convocatória à Bienal Ibero-Americana de Arquitectura, que decorrerá em Medellín, em Outubro próximo.
A delegação portuguesa é uma vez mais composta por Ana Tostões (Comité de Acessoria, com trabalho anterior para as Bienais de Madrid, México ou Chile) e Gonçalo Byrne (Júri Nacional para o Prémio de Arquitectura, repetindo dessa forma o papel desempenhado em Lima, em 2004), sendo a maior novidade a escolha de José Adrião (Delegado Nacional), a quem caberá a responsabilidade de seleccionar as 10 obras nacionais a serem expostas.
Tendo em conta a anterior história das representações nacionais na BIAU (ver aqui e, depois, ali), não se prevêem alterações significativas no modo como a arquitectura nacional tem vindo aí a ser representada.
O Museu Carlos Machado
.
Publicam-se as oito propostas a concurso para a Recuperação e Ampliação do Museu Carlos Machado, em S. Miguel, Ponta Delgada.
O concurso foi elaborado em duas fases: a primeira de selecção curricular; a segunda por escolha de projecto.
O Júri da segunda fase do concurso foi composto por João Paulo Conceição (atelier 9H), Ângelo Regojo (Direcção Regional de Cultura dos Açores), um representante do Instituto Português dos Museus, um Museólogo do Museu da Presidência da Republica, e o Vice-Director Regional da Cultura dos Açores.
Não foi fornecida qualquer acta de Júri aos concorrentes.


Paulo David, 1º Classificado


Atelier 15: Alexandre Alves Costa, Sérvio Fernandez; 2.º Classificado


FSMGN: Fernando Salvador, Margarida Grácio Nunes, 3.º Classificado


João Mendes Ribeiro / Menos é Mais; 4º Classificado


Gonçalo Byrne / ZT Arquitectos; 5º Classificado



a.s* / Pedro Maurício Borges; 6º Classificado

Susana Fernini, 7º Classificado


Consulmar Açores: Kol de Carvalho / Vitor Mestre, 8º Classificado
[Nota: as imagens (com excepção das do a.s*) são tiradas directamente dos paíneis de concurso, em condições que não permitem a sua melhor reprodução e , claro, total compreensão dos projectos. Fica ainda assim uma ideia geral das oito propostas.]
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