Quando as Catedrais eram Brancas, notas breves sobre arquitectura e outras banalidades, por Pedro Machado Costa

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O Museu Carlos Machado

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Publicam-se as oito propostas a concurso para a Recuperação e Ampliação do Museu Carlos Machado, em S. Miguel, Ponta Delgada.
O concurso foi elaborado em duas fases: a primeira de selecção curricular; a segunda por escolha de projecto.

O Júri da segunda fase do concurso foi composto por João Paulo Conceição (atelier 9H), Ângelo Regojo (Direcção Regional de Cultura dos Açores), um representante do Instituto Português dos Museus, um Museólogo do Museu da Presidência da Republica, e o Vice-Director Regional da Cultura dos Açores.

Não foi fornecida qualquer acta de Júri aos concorrentes.














































Paulo David, 1º Classificado














































Atelier 15: Alexandre Alves Costa, Sérvio Fernandez; 2.º Classificado














































FSMGN: Fernando Salvador, Margarida Grácio Nunes, 3.º Classificado














































João Mendes Ribeiro / Menos é Mais; 4º Classificado














































Gonçalo Byrne / ZT Arquitectos; 5º Classificado





























































a.s* / Pedro Maurício Borges; 6º Classificado































Susana Fernini, 7º Classificado














































Consulmar Açores: Kol de Carvalho / Vitor Mestre, 8º Classificado



[Nota: as imagens (com excepção das do a.s*) são tiradas directamente dos paíneis de concurso, em condições que não permitem a sua melhor reprodução e , claro, total compreensão dos projectos. Fica ainda assim uma ideia geral das oito propostas.]

11 comentários:

AM disse...

serviço público, P.
mt obg
não é só a qualidade das reproduções
para quem não conheca o edifício, o local e o programa de concurso (e para aqueles que como eu pensam que estas questões ainda tem alguma importância...) fica difícil fazer qualquer "julgamento" ou melhor (muito melhor...) emitir uma opinião
porque é que não desenvolves noutra posta a tua/vossa proposta?...
eu prometo que comento com carinho... :)))

AM disse...

ah! e é claro que odp, numa jogada táctica de antecipação com "enorme" sentido de oportunidade :) tb já tinha postado sobre um certo pormenor mais curioso de uma das propostas...

Pedro Machado Costa disse...

Caro AM: evidentemente que o programa, o local e o edifício são importantes; mas, como sabes, esta coisa dos blogs não é o melhor suporte para uma extensa apresentação do concurso.

Mas posso, claro, resumir, em poucas linhas, o objecto do concurso.
A ideia seria recuperar o Convento de Santo André (um dos principais conventos de Ponta Delgada; cujo todo, julgo, se consegue perceber na soma das imagens que publico), entretanto ampliado e alterado pela introdução do programa de Museu de História Natural, na década de 30.
O edifício foi sofrendo alterações sucessivas, com a introdução de diferentes colecções de arte, de etnografia, de epigrafia, etc.

O concurso pedia uma nova frente para o edifício: uma entrada, que hoje aproveita uma pequena porta com ligação a partir do jardim; e também a reorganização interna das colecções (visto que algumas transitam para outros edifícios da cidade).

Do novo programa consta ainda uma galeria de exposições temporárias, um novo átrio, cafetaria, loja, etc; e depois todo um conjunto de espaços de natureza técnica (depósitos, manutenção, etc.), actualmente inexistentes.

Se observares as várias propostas constatarás concerteza enormes diferenças em relação às áreas e volumetrias de cada uma delas.
Porque embora o programa de concurso indicasse áreas para os diferentes espaços, deixou-se ao critério dos concorrentes o tipo de ocupação a fazer das pré-existências.

Na proposta vencedora, por exemplo, Paula David opta por construir muito pouco (apenas o átrio e uma cafetaria), usando o convento para o resto do programa; enquanto, pelo contrário, a proposta do a.s* opta por "desperdiçar" áreas do convento que considera menos nobres, levando a construir um novo bloco, que fará a nova "frente" urbana do Museu (a poente), deitando abaixo os muros que delimitam a propriedade.

A proposta dos Menos é Mais opta pela entrada numa outra rua (a norte; e as do Alves Costa e do Byrne fazim a entrada por Sul.

Enfim...seria demasiado extenso e aborrecido explicar as várias propostas, os seus pressupostos e as possibilidades que cada uma delas abria; até porque cada solução opta por explorar particularidades do Convento que só são realmente percebidas por quem o conhece (por exemplo, Paulo David aproveita uma ala do edifício para fazer a Galeria de Exposições Temporárias que, quanto a mim, é perfeitamente desadequada para dito programa).

Não sabemos quais foram os critérios do Júri (nada foi dito aos concorrentes, a não ser a classificação final), mas várias coisas são observáveis:

1 - A classificação é inversamente proporcional à área de construção nova proposta por cada concorrente (com excepção do ultimo classificado). Sinais da crise, provavelmente.

2 - Ao contrário de outros concursos recentes nos Açores, aqui não houve nenhum Arquitecto de referência no júri do concurso. Estavaria registado que seria Paulo Gouveia o arquitecto mas, infelizmente, Gouveia adoeceu, e foi substituído.
Nestas coisas, como em tudo, há histórias para além daquilo que fica escrito: há, como saberás eventualmente, uma eterna rivalidade entre as gentes da Terceira e de S. Miguel. No caso da cultura, os seus responsáveis (a Direcção Regional de Cultura) estão na Terceira, o que porventura implica menor atenção às coisas que se passam em S. Miguel.
Repara: o concurso foi por prévia qualificação, esperando-se alguma ambição que não se veio a confirmar com a proposta vencedora.
A aposta em júris mais exigentes (como Portas ou José Manuel Fernandes, usados em concursos para Angra) foi, neste caso dispensada.
E, curiosamente, o júri não inclua nenhum elemento do museu; o que, supõe-se, implica a inexistência de alguém, no júri, que tivesse consciência das necessidades especificas das colecções que aí se abrigam e, até, conhecimento da própria natureza do edifício.
Ainda assim a decisão do júri foi tomada num tempo record (uma semana, se a memória não me falha).

(contínua)

Pedro Machado Costa disse...

(continuação do comentário anterior)

Não obstante devo dizer que a proposta de Paulo David é merecedora, quanto a mim, do prémio: não põe em causa a natureza do convento e irá ser, concerteza, bem desenhada.

A única dúvida que me fica é da sua pouca ambição urbana. Mas é mesmo para isto que servem os concursos.

ps1. o projecto a.s*/Pedro Maurício Borges estará disponível no site do a.s* um destes dias.

ps2. O teu sentido de oportunidade, que te levou a comparar o projecto dos RED com o "panóptico" dos menos é mais [ver: http://odesproposito.blogspot.com/2009/06/motion-pictures.html]é um quanto ou tanto equivocado. É que um dos "temas" do concurso seria exactamente recuperar a ideia do panóptico do séc. XIX (um cilindro onde se projectam imagens); até porque isso será "museologicamente" coerente com a recuperação da exposição (um quanto ou tanto "Freak show": bezerros de duas cabeças, fetos deformados em frascos de formol, etc.) de história natural, que agora está outra vez na moda; e que o Museu Carlos Machado entende, e bem, reavivar.

alma disse...

qt aos projectos em concurso nenhuma proposta me surpreende...!
é tudo mais do mesmo :)
apesar de não entender o que se passa por lá ... o Arq. António Meneres penso que era o responsavel pela remodelação do Museu ...

Aguardo com inquietação que um dos museus mais interessantes regionais a nivel zoológico e artistico não seja dilacerado ...

JFC disse...

"Não foi fornecida qualquer acta de Júri aos concorrentes."

Peço desculpa mas isso é ilegal. Se assim for o concurso pode ser imediatamente impugnado por qualquer um dos concorrentes.

Pedro Machado Costa disse...

Meu caro jfc: acta até é bem capaz de ter sido fornecida. Não há é em nenhuma acta qualquer referência em relação a qualquer uma das propostas.

Em relação a legalidades, ilegalidades e impugnações: é tudo, apenas, uma questão de bom senso e sensibilidade.

AM disse...

mt obg, P.

"recuperar a ideia do panóptico do séc. XIX" é diferente de "re-utilizar" a "imagem (das revistas) em movimento" de um moderno "panóptico" do ´sec. XXI... não!?... :)
do teu/vosso projecto ficou-me acima de tudo a curiosidade com o impacto "urbano" e no "sistema de vistas" da cidade

Sérgio Fazenda Rodrigues disse...

Caro Pedro

O que me parece é que de todas as propostas, a vossa era talvez a única que dava um rosto ao museu (enquanto programa, instituição e acontecimento urbano). Pena é ter ficado para trás, pois de compromissos me(r)drosos já tudo aquilo é feito...

shrapnelcontemporary disse...

Depois de um esforço considerável consegui perceber a presumível lógica do júri: havia a esperança que o primeiro classificado fosse o Álvaro Siza e o segundo o Eduardo Souto Moura...
A outra hipótese - caso o concurso não fosse anónimo - era a de que o júri procurava estabelecer um ranking de arquitectos emergentes que pudessem, com alguma justiça poética, substituir os anteriores...
É de notar que referências explícitas a Sanaa ainda não inspiram um júri desta natureza.

Pedro Machado Costa disse...

Em relação aos dois últimos comentários, que agradeço, devo referir:

1_Não tenho a certeza do significado dos compromissos. Aparentemente o Júri terá optado por uma resposta contida, concentrada sobretudo na disposição do novo programa pelo edifício existente.
Não deixa de ser evidente que a proposta a.s*/PMB intentava desenhar uma nova frente urbana ao Museu, relacionando-a com a "praça" entretanto aberta a poente.

2_Em relação aos comentários de Gadanho: dado ser um Concurso de Previa Qualificação o Júri sabia à partida o nome dos concorrentes; sendo por isso de descartar a hipótese Siza/Souto de Moura.
E também não me parece que os projectos classificados em primeiro e segundo lugares pareçam assim tanto projectos de substituição dos autores referidos; sobretudo se olharmos com um pouco mais de atenção para a proposta de Alves Costa.
Em relação à proposta a.s*/PMB assumo as aparencias. E no entanto poderia dizer-te que a influência de Gordon Bunshaft terá sido mais decisiva do que propriamente a obra do Saana. Ainda assim...

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