Quando as Catedrais eram Brancas, notas breves sobre arquitectura e outras banalidades, por Pedro Machado Costa

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Huckleberry Finn

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Se há coisas para a qual a arquitectura existe, esta é certamente uma delas: sublinhar aquilo que de outra forma não nos era evidente. Mas, claro, para isso ser possível há uma condição prévia a cumprir, que é a do seu autor ser capaz de seleccionar, por d'entre infinitas possibilidades de logro, aquilo que se facto é relevante. A coisa sublinhável.

Depois há ainda uma outra coisa admirável, aqui. Que é a da capacidade que a arquitectura tem em não se parecer com ela própria.
















Aparentemente, a conjugação e um e outro factor, permite-nos, por exemplo, descobrir um ponto de vista singular sobre uma ponte; que de outra forma nos era mostrada da mesma, igual, forma que aprendemos a ver todas as outras pontes que existem.

E se essa forma de descoberta se parecer, nem que seja por réstia de memória longínqua, com o caminho, secreto, que Huckleberry Finn percorre, descalço, por entre os bosques em redor de uma imaginada São Petersburgo americana, atravessando troncos sobre riachos que desaguam no Mississipi, então, só então, podemos chamar a isso uma bela peça de arquitectura.





















Área de Estadia em Santa-Clara-a-Velha, Odemira, José Adrião, 2006

1 comentários:

Bernas disse...

Huckleberry Finn teve sorte em não estar por ali Chris Burden com o seu afiado guindastre largando loucamente vigas de diferentes tamanhos penetrando no betão que substituíra a agua provocando um ensordecer colossal, isto também pode ser arquitectura

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