Quando as Catedrais eram Brancas, notas breves sobre arquitectura e outras banalidades, por Pedro Machado Costa

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Nota sobre tropeções

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Nada mais natural do que um tropeção. Sobretudo vindo de alguém com a tendência de olhar para o ar à medida que caminha.

20 comentários:

joão amaro correia disse...

visto daqui de baixo ficámos perplexos. a estranhar. e com dúvidas. se de facto foi um 'tropeção'. mas também não sabemos adiantar mais.

(o) arquitecto disse...

belo tropeção!

AM disse...

postei isto no meu blogue:

afigura-se-me (sabe Deus...) como extremamente provável, um cansaço da arquitectura...
um Siza "by the books", "by the numbers" (há que alimentar o gabinete...), em rigorosa dieta criativa...
mais que um tropeção (e só tropeça quem caminha...), um daqueles trambolhões (a toda a altura...) capaz de deixar o corpo (e a alma) mais a-machucado que o corpo de titânio do vizinho Gug...
como gémeo do "simétrico" Moneo (que também não aparece no 21 Remarks...) nem vai nada mal e como "embasamento" para a torre do Pelli também não faz pior figura...
problema maior é a falta de ambição em superar os "serviços (muito) mínimos"...
recordo e partilho, salvo erro com Nuno Portas, a evidente e absoluta necessidade do Meistre aceitar menos encomendas e de trabalhar (muito) mais em cada uma das que aceitar...
nada de grave... nada que umas opiniões sinceras em vez das habituais palmadinhas das costas (leia-se e veja-se, por exemplo, "the function of beauty"...) não possa (ainda) a-resolver
é, afinal, do Arquitecto das Piscinas de Leça e da Fundação Iberê (entre algumas outras variáveis e discutíveis...) que se escreve...

Anónimo disse...

olhem que a Rita Pereira também não usa aquele decote que levou aos Emis todos os dias e mais: suspeito que também caga e tem períodos.
Deixem lá o velhote que já fez mais sozinho que nós todos juntos.

AM disse...

há qualquer coisa de perturbador na comparação entre as obras-primas do mestre e os decotes da rita pereira mas a esta hora eu não quero arriscar o que quer que seja que ainda acabo a sonhar com serenelas...
escatalogia à parte, não será por deixarem o velhote sozinho (a mais a sua corte de aduladores...) que ele anda a fazer... disto...

joão amaro correia disse...

a rita pereira tem mamas photoshop e é zarolha. não digo que não a seios mccdonalds, é uma comida que às vezes apetece, mas quase que juro que este 'tropeção' foi feito em carne pura.

há pouco pensava se o siza olha para o ar ou estará ele, ao contrário, sempre a olhar para baixo. acho que a inclinação dele é para o chão, não para o céu. para o que encontra de razão no caminho.

nisto tudo suponho que ele esteja pouco entusiasmado em produzir constantemente iberês camargos (reconheço-o como masterpiece do homem) e mais 'adequações' a determinados contextos. mas ainda não sei.

(o) arquitecto disse...

mas então um projecto do mestre tem sempre de ser uma obra-prima, não pode simplesmente resolver o programa de uma forma mais contida por motivos vários (urbanos, económicos, ...), tem de fazer sempre formas à Japão?

(o arquitecto) disse...

- não é possível achar que todas as obras do mestre sejam obras dignas dos livros (pelo que me lembro de ouvir de Nicola Pagliari a respeito do Siza, há uns 15 anos atrás)

- pelo que sei o mestre recusa muito trabalho e sobretudo os de prazos reduzidos (como exemplo as encomendas do Dubai e afins)

- o mestre dedica muito mais tempo aos projectos que outros arquitectos by the book e que nos aparecem constantemente em publicações e exposições

- tudo isto, ainda assim, o mestre não tem garantida, de forma alguma, que em cada projecto a obra-prima se concretize

Anónimo disse...

Porque é que esta obra do arquitecto Alvaro Siza é um "tropeção"?

Anónimo disse...

Já estávamos habituados ao Byrne a querer imitar o Siza. Mas o contrário é uma novidade.

Anónimo disse...

gostei particularmente deste ultimo comentário :-)
mas não há um único e excelente arquitecto que não tenha obras menores (Alvar aalto, FL Wrigth, Koolhaas,H&dM, etc...).

AM disse...

é claro que até o meistre tem o direito a falhar
o direito a falhar é algo que até um certo ponto não é controlável nem pelos maiores de todos os meistres
mas nesta obra, e aqui serve de resposta ao anónimo das 15:43, nota-se uma tal falta de empenho, um puxar ao "truque", que só não vê quem não quer
e o pior é, precisamente, que a obra não parece obra do Siza mas obra de um imitador do Siza
a produção de um gabinete maior, mesmo a produção de um gabinete em piloto automático, tem que ser mais que isto...

Anónimo disse...

o que o siza precisou foi de dinheiro para pagar os disparates do filho alvarinho http://f-se.blogspot.com/2010/11/f-se-alvaro-leite-siza-vieira-casa-fez.html

Anónimo disse...

mas em quê e como é essa falta de empenho?por outras palavras, o que há de errado concretamente com a obra, AM?

AM disse...

tentei responder a isso na resposta a um comentário à minha posta
é tudo demasiado "directo", elementar (o pior minimalismo...) e esquemático
veja, no átrio, a desinteressante (porque pornograficamente "explicita"...) a desinteressante relação de "transparência" (em si mesma uma ideia agora banal...) entre o "interior" e o "exterior"
veja, no auditório, a falta de "amenidades" (será um sítio onde apetece "estar"!?...)
veja o "truque" (ou a "mala dos truques", como dizia o Vítor Figueiredo) daquelas decorativas "curvinhas" desencontradas nos diedros
chega, não!?...

Anónimo disse...

AM: é normal que um tipo com 80 anos ou isso acabe por recorrer a algumas soluções "tipo". não sei que idade tens, mas achas que vais passar a vida toda a experimentar coisas novas? mas há outra questão, hoje em dia não te pagam projecto para "inventares", além disso à sempre a questão do tempo e cumprimento de prazos... a arquitectura está a mudar e a de Siza soube muito bem adaptar-se ao tempo. já não desenha ferragens ou caixilhos em madeira... usa pladur e outras merdas, mas o resultado é sempre superior à média. por isso aconselho algum respeito...

Anónimo disse...

estou farto desta treta de nó os jovens é que inventamos, quando para nós experimentar é copiar o que se faz lá fora... viva o Siza!!!

AM disse...

caro anónimo das 19:51

respeito!? (mas que...) essa é boa...
eu quase que IDOLATRO o Siza e vem agora você falar-me em respeito!?...
releia a última frase do meu primeiro comentário aqui nesta caixa de comentários
procure pelo meu blogue (e pelas suas caixas de comentários) o "tamanho" do meu "respeito" pela obra do Siza
é claro que a obra do Siza é quase sempre melhor que à média mas não é isso que me vai levar a mudar de ideias relativamente a esta obra que agora comentamos
sobre a "cópia" e a "invenção" e isso tudo também pode procurar ler pelo "histórico" do meu blogue: tenho criticado (e não é pouco) a mania ("tardo-modernista") da "originalidade" e das "invenções", nomeadamente nos "valores emergentes" das "novas" gerações analfabéticas
também não tenho nada contra o "tipo" (ainda agora acabei de ler sobre o "tipo" em Muthesius e recordo um excelente artigo do Colquhoun sobre o mesmo assunto...)
tenho agora a idade que o Lennon tinha quando foi assassinado mas isso não interessa nada, pois não...

AM disse...

apagar o acento em "à" antes de "média"

isto é só a ver se o autor do blogue se digna a aparecer por aqui :)

quando as Catedrais eram Brancas disse...

Com certeza que sim: que o autor do blogue em causa se digna a aparecer. Para dizer apenas isto.

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