Quando as Catedrais eram Brancas, notas breves sobre arquitectura e outras banalidades, por Pedro Machado Costa

| Subscrever via RSS

Ups!, ou uma Praça para o Mundo

| |

Sei bem que não faz grande sentido. Talvez tenha tido sorte na vida. Nenhum grande problema. Mesmo os pequenos problemas são poucos, e normalmente efabulados por mim próprio, para não me aborrecer em demasia.
O meu carro por exemplo: nunca avaria. Não faço nada por ele. Nem revisões. Nem mudo o óleo, Nem vejo a pressão dos pneus. E mesmo assim a coisa contínua a andar como se nada fosse.
Às vezes vou na rua e dou pontapés em coisas: a última foi uma máquina fotográfica, digital e tudo. Pequenina, que era mesmo o que estava a precisar.
Quando me apetece ir à praia está sempre sol. A não ser que prefira nevoeiro. Quando prefiro nevoeiro, a praia responde-me, atentamente, com neblina, acompanhada de uma brisa salgada, que me permite vestir a camisola e ir para a esplanada beber qualquer coisa mais quente.
Comprar sapatos é-me fácil: há sempre o meu número. E quando não há, é porque a fôrma do sapato é diferente do habitual, e é o número acima que me serve; coincidentemente o único que há na loja.
As pessoas são-me generalizadamente simpáticas. Nunca ninguém se zanga comigo, a não ser quanto me apetece ver as pessoas zangadas.
Eu próprio nunca me zango.

Isto tudo para dizer que não há nada que me faça ser menos que um optimista. Daqueles optimistas que acham que as coisas nunca foram melhores do que aquilo que são. Os poucos que ainda por cima acreditam que as coisas só podem melhorar.

Pode ser, ainda assim, que não faça grande sentido ser optimista. Até porque a condição de optimista não implica - momento ali, momento aqui -, a inexistência pontual de qualquer fenómeno menos confortável: o isqueiro não funcionar, por exemplo; ou não encontrar tradução alguma, em inglês difícil que seja, de Logis in einem Landhaus.
E no entanto tem havido sempre alguém simpático, disposto a emprestar-me lume.
E mesmo que o alemão não me permita ler a última obra do Sebald, sempre me resta a hipótese de abrir, ao calhas, o Austerlitz pela segunda vez, o que já não é nada mau.

E no entanto, de um dia para o outro, percebemos que o nosso optimismo nos leva a cometer verdadeiras barbáries. Erros imensos, baseados na crença que as coisas vão ficando melhores, e que há, em cada uma delas, um propósito maior que lhes vai dando sentido.
São adversidades; falhas que se escrevem assim:

Lacunas incómodas, portanto. Que nos fazem tomar consciência que o mundo dos optimistas é, afinal, o mundo dos ingénuos.

Poderíamos, claro, perguntar-nos: mas então para que serve um Pavilhão feito assim? Desta maneira?
Estaríamos no entanto a incorrer no risco de nos tornarmos profundamente optimistas. Mais: ingénuos também. Optimistas por acreditarmos que um Pavilhão em Shanghai poderia ser uma bela oportunidade para Portugal, e para a arquitectura também. E ingénuos por não querermos acreditar que o investimento no Pavilhão Português servirá para tudo menos para fazer um bom Pavilhão Português.

[com um agradecimento especial a TMS, por defraudar as minhas expectativas mais optimistas em Rolando Borges Martins]

2 comentários:

Anónimo disse...

devem de estar a brincar.....mais uma vez, com tanto tempo até agora, decidem fazer uma consulta em JULHO e AGOSTO para divulgarem o vencedor em SETEMBRO?

Podiam divulgar já o escolhido e deixarem-se dessas palhaçadas...

(dupont: se fores tu, não te esqueças de me contratar para qq coisinha... ab. dupond)

Pedro Gadanho disse...

Da Parque-Expo, enquanto assobiávamos para o lado, apenas seria de esperar algo de parecido. Zaragoza foi o que foi à pressa e a más horas e algo para recordar exclusivamente no arquivo fotográfico dos irmãos Guerra... Agora surge pérola do Oriente: um concurso de concepção-construção entre empresas de engenharia macaenses... Alguém me explica porque é que o Rolando se deu ao trabalho de ir tirar um curso de arquitectura. Apetece dizer coisas que por educação não se dizem...

Tags