Quando as Catedrais eram Brancas, notas breves sobre arquitectura e outras banalidades, por Pedro Machado Costa

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Fim de Janeiro: Buddy, BooBoo, Seymor, Franny, Zooey

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Na página 39 desse extravagante mas sempre brutal manual da história da arte do não, que dá pelo nome de Bartleby e Companhia, Vila-Matas descreve o dia em que pensa ter visto Jerome David Salinger, num qualquer autocarro, na 5ª Av.

Desde que as li, a essas palavras, ganhei essa mania de olhar com redobrada atenção para a cara de todas as pessoas que viajam connosco nos transportes públicos. Mas admitamos: encontrar alguém parecido com Salinger equivaleria a encontrar uma agulha no palheiro. Face a isso, e nada mais havendo a fazer, limitei-me a constatar que a relevância de um autor é definida por tudo aquilo que não fez, mais do que por tudo o resto.

É por isso que a recusa é o mais significativo dos instrumentos da escrita.

11 comentários:

alma disse...

:)))não foi no autocarro mas na rua :) enquanto fumava um Lucky :)
o Philip J. nos anos 90 :)

mas já vi o Louçã no autocarro... :)))

o Brian ferry num restaurante :)
o Hugh Grant no supermercado :)
e Ontem encontrei no cinema um arquitecto português :)))

alma disse...

por fim mas não menos importante:)
O Bill Clinton a passar de carro em Santos :)

Quando as Catedrais eram Brancas disse...

A mais pura das verdades: Bardot num carro, parada num semáforo de Paris, bem mesmo à minha frente.

joão amaro correia disse...

sigourney weaver, a civil, na upper west side ou Kiefer Sutherland, antes de incarnar em jack bauer, à porta do gugghneim de n.y. virando-se para mim 'give me that film', antes de ter desistido da película pela polaroid, voz e expresão assustadora para se desfazer, no instante seguinte, num sorriso irónico? (é que tinha acabado de chagar à porta da rampa espiral uma carrinha das forças especiais de guiadas por pastores alemães e com metralhadoras em punho por argumento.)
era o pós-pós-9/11. a cidade estava assustada.
serve?
serve para olhar nyc, a energia informal e torrencial, atemorizada e aflita.
ah, e marc ribot - e admito que esta seja uma mitologia pessoal - num pequeno club, saudoso, depois de hell's kitchen, a descarregar, ao meu lado, o ódio - e a vergonha - pela decisão tomada nesse dia à porta da un - onde, curiosamente, cruzei colin powell, inconvicto das demarches do seu superior hierarquico à época.
15 de fevereiro 2003 era sábado. macwen escreveu um romance, situou-o em londres. nessas horas estava em nyc. não desci a 1av. com eles. mas eles eram o centro do mundo. antes, o mundo todo no centro do mundo, que, mostrava-me o mundo, nesse dia, deixava de ter centro. apesar de nyc. e de lx.

serve? enquanto espero o meu centeio?

(o) arquitecto disse...

goto muito do marc ribot...

bem o que queria dizer é que a cidade por excelência em Bartleby e Companhia dos escritores do não é...Ponta Delgada!

já que as ilhas aparecem aqui tanto, fica aqui mais um pouco de insularidade

alma disse...

Um dia gostaria de ver o inimitável e transcendente ... o arquitecto :))))

(o) arquitecto disse...

inimitável, é pedir muito... e transcendente, só no sentido que Kant lhe deu na filosofia moderna.

no entanto, agradeço o atributo destes adjectivos

alma disse...

:)Hume !

(o) arquitecto disse...

maldita história que assenta em cima de si e depois nunca se sabe de onde vem

alma disse...

LOL
...

alma disse...

...
Frades fradinhos !
ai abri-me a porta!
... Eu trago a alma toda ferida,
morta
só vós, fradinhos m´a podeis curar.
AN (despedidas)

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